Nossas “Senhoras” – parte 3: Uma Senhora Novela (1975)

Oi pessoal! _o/

Aqui é a Jacque de novo. Vamos aproveitar o sábado do feriadão para continuar a nossa retrospectiva das adaptações de Senhora na TV e no cinema. Aqui está a parte 1 e a parte 2. O post de hoje é particularmente especial, pois vamos falar daquela que é considerada uma das melhores novelas baseadas em livros da TV brasileira, cuja protagonista é uma favorita da produtora que vos fala. Mas antes de prosseguirmos, pausa para a valsa de Aurélia:

Em 1975 a Globo, então com 10 anos de existência, se preparava para lançar a primeira novela a cores no horário das 18h, e a primeira com mais de 20 capítulos. Nada melhor que celebrar o marco técnico com uma história repleta de figurinos luxuosos e cenários maravilhosamente decorados. Por se passar nos salões da corte carioca, a obra de José de Alencar, que completava cem anos de sua publicação naquele ano, foi então uma escolha natural.

Escolhida a história, agora cabia à direção da Globo montar a equipe de produção. A supervisão era de Daniel Filho. A adaptação ficou a cargo de Gilberto Braga, ainda em início de carreira. Já a direção era de Herval Rossano, veterano da TV com experiência na produção de novelas de época. Para dar vida a Aurélia, Herval e sua equipe selecionaram a belíssima Norma Blum, no auge de sua carreira televisiva.

Em 1975, essa era a diva que todo mundo queria copiar.  Fonte: Memória Globo.

Em 1975, essa era a diva que todo mundo queria copiar.
Fonte: Memória Globo.

Vou abrir um parêntesis no texto e explicar o porquê de Norma ser a minha Aurélia favorita, embora eu tenha visto muito pouco da novela. Norma é uma daquelas atrizes que, além de serem belíssimas, possuem uma qualidade ímpar em sua interpretação, o que por si só já justifica seu posto como uma das grandes atrizes brasileiras de todos os tempos. Entretanto, há algo no brilho dos olhos da Aurélia dela que transcende a TV. Vejam a cena abaixo, em que ela é estabelecida como a Rainha dos Salões:

Repararam? Ela consegue ser ao mesmo tempo coquete, caprichosa, irônica e ainda assim ser adorável. Realmente conseguimos comprar a ideia de que ela é capaz de enfeitiçar qualquer um. Mas chega de tietagem, vamos seguir com o texto.

Para fazer par com Norma, o não menos famoso (e agora saudoso) Claudio Marzo foi escalado como Fernando.

Claudio Marzo oferecendo um charme setentista às costeletas de Fernando Seixas.

Claudio Marzo oferecendo um charme setentista às costeletas de Fernando Seixas.

O restante do elenco também era fantástico: Zilka Sallabery, doravante conhecida como Dona Benta da versão de 1977 de Sítio do Pica Pau Amarelo, dava vida à Dona Firmina. Fátima Freire, Luciana Alves e Osmar Prado interpretavam Adelaide Amaral, Mariquinhas Seixas e Torquato Ribeiro.

Outro ponto interessante é que a novela teve cenas externas gravadas em cinco locais fixos no Rio de Janeiro, um luxo para a época. Eram elas: a Quinta da Boa Vista, O Museu Nacional, o Consulado da Argentina e o bairro de Santa Teresa. Mas o mais legal mesmo – principalmente para os fanáticos pelo livro, é a fidelidade ao texto original. Gilberto Braga colocou quase todos os diálogos em cena, fazendo apenas algumas modificações aqui, acrescentando outras acolá. Até a estrutura do livro se manteve nas telas: a novela foi realmente dividida nas quatro partes originais: O Preço, Quitação, Posse e Resgate. Vejam algumas cenas e se deliciem:

1 – Aurélia descobre que Fernando está de casamento marcado:

2 – Aurélia e Dona Firmina discutem o noivado de Adelaide Amaral (e Fernando):

3 – E aqui, a cena favorita de todos aqueles que curtem o livro (e de todas as produtoras aqui da Adorbs também), aquela em que Aurélia revela a Fernando que o comprou:

Acho que deu para ter uma ideia da intensidade da trama, não?

“Senhora” foi reprisada duas vezes: em 1976 e depois em 1982. Fica aqui o meu apelo: Canal Viva, por favor reprise essa pérola da dramaturgia!

Por hoje é só. Semana que vem tem mais.

Beijos adorbs,

Jacque.

Fontes: Teledramaturgia, Memória Globo

Nossas “Senhoras” – parte 2: As Primeiras Novelas (1953-1972)

Oi, pessoal!

Aqui é a Jacque de novo. _o/

Essa semana nós vamos continuar a nossa retrospectiva das adaptações “Senhoras” já feitas para a TV e o cinema. E se no post anterior falamos dos teleteatros dos anos 50, hoje vamos falar sobre essa instituição brasileira que é a favorita de 9 entre 10 brasileiros: o feijão  a telenovela.

A primeira adaptação novelística do livro de José de Alencar foi produzida pela TV Paulista em 1953. Naquela época, o videotape – equipamento que permitia a exibição de material pré-gravado ainda não era muito popular, por isso a maioria dos programas era rodado ao vivo. E com as novelas não era diferente. Essa versão de “Senhora”, por exemplo, era exibida apenas uma vez por semana e totalmente ao vivo. Infelizmente a produtora que vos fala não achou nenhum registro fotográfico dessa produção, nem mesmo dados de elenco.

Aliás, vale lembrar que a primeira década da TV no Brasil foi fértil para as adaptações literárias. Das 164 novelas produzidas e transmitidas apenas em São Paulo entre 1951 e 1963, cerca de 95 eram versões literárias e, dessas, 16 eram clássicos brasileiros.

Foi nesse contexto que nasceu a primeira versão em telenovela, da TV Tupi (vale lembrar que a emissora já havia exibido a história de Aurélia e Fernando três vezes, em forma de teleteatro). Essa que, também por mistérios que 50 anos de história negligenciada da TV explicam e que eu não consegui elucidar, também não possui qualquer vestígio documental na internet.

Por fim, em 1971, a Tupi (mais uma vez ela) leva ao ar uma versão modernizada do livro, escrita por Ody Fraga. Batizada como O Preço de Um Homem, ela foi transmitida entre 15 de novembro de 1971 e 24 de junho de 1972. Os nomes foram modificados, mas a história é essencialmente a mesma: a humilde Rosa, orfã de pai e vendedora de uma loja da Rua Augusta, perde o namorado Mário para Marisa, filha de um empresário que lhe dá a possibilidade de ascensão social e sustentar a mãe e a irmã. De uma hora para outra, Rosa descobre ser a única herdeira do avô Romero, a quem não conhecia. Agora milionária, ela não mede esforços para reconquistar e “comprar” o namorado e provar que cada homem tem seu preço.

Logo da novela "O Preço de Um Homem"

Logo da novela “O Preço de Um Homem”

O elenco trazia Arlete Montenegro (Rosa / Aurélia), Adriano Reys (Mário / Fernando), e Maria Helena Dias (Marisa / Adelaide). Entre os coadjuvantes, nomes que seriam consagrados nas próximas décadas: Carlos Alberto Riccelli, Selma Egrei, Elaine Cristina (que anos mais tarde viria a ser Aurélia nos cinemas, como veremos nas próximas semanas), Flavio Galvão, entre outros.

Arlete Montenegro e Fernando Reis interpretavam Rosa e Mário, personagens inspirados em Aurélia e Fernando.

Arlete Montenegro e Fernando Reis interpretavam Rosa e Mário, personagens inspirados em Aurélia e Fernando.

Elaine_Cristina

Elaine Cristina também estava na novela. Anos mais tarde, ela mesma viria a ser Aurélia Camargo.

O tema de abertura da novela era a fantástica “Seu Preço”, interpretada por César Costa Filho. É possível ouvi-la através do Youtube:

Semana que vem nós falaremos sobre a versão mais famosa (e talvez mais querida): a novela de 1975, escrita por Gilberto Braga e estrelada por Norma Blum na Globo.

Por hoje é só. Um beijo e um abraço super adorbs para vocês!

Jacque

Fontes: Blog Posso Contar Contigo: As Novelas do Século XIX –  Os Romances de José de Alencar; Teledramaturgia